Precauções:

  1. Providencie estabulagem segura. Área para abrigo com pelo menos três paredes para servir de proteção para o cavalo. Área mínima de 3,65 m x 3,65 m para um único animal. Evite quinas pontiagudas nos cochos e recipientes de água. Evite saliências baixas, pregos e parafusos saltados. Mantenha lixo e entulho longe do cavalo. Tenha tramelas seguras.
  2. Elimine todas as cercas de arame farpado se possível. Cerca de madeira é normalmente a mais prática apesar de requerer manutenção freqüente.
  3. Sempre amarre um cavalo em objeto bem seguro. Sempre amarre um cavalo na altura da espádua ou mais alto, não mais de 45 cm a 60 cm de folga na corda.
  4. Nunca amarre um cavalo pelas rédeas. Sempre carregue um cabresto e uma guia para amarrar o animal.
  5. Nunca amarre um cavalo com um laço em torno do pescoço, asfixia pode causar sérios danos.
  6. Quando for retirar uma sela com duas barrigueiras, sempre remova, primeiro a barrigueira de trás.

Tratamento:

  1. Escove bem o cavalo antes de montá-lo, limpando bem o dorso e os pés. Desta forma evitando irritações na área sob a sela e evita machucaduras por pedras nos pés.
  2. Dê chance do cavalo se aquecer antes de sujeitá-lo a um galope ou corrida.
  3. Quando parado por um período prolongado, afrouxe a barrigueira e examine novamente os cascos.
  4. Sempre seque e esfrie o animal antes de soltá-lo após um passeio longo ou exaustivo. Não permita que o cavalo beba avontade, mas sim pouco e periodicamente enquanto estiver esfriando.
  5. Nunca dê grãos a um animal que esteja quente ou exausto. Feno bom e limpo é sempre seguro.
  6. Um animal tosado deve ter um bom abrigo e deve ser coberto à noite para protegê-lo do tempo frio.
  7. Nunca tente manter o seu equilíbrio se segurando nas rédeas. É melhor agarrar a sela ou a crina.
  8. Puxões constantes no freio do cavalo tendem a deixá-lo "bocadura", e progressivamente mais difícil de guiar.
  9. Se o escabeceamento freqüente for um problema causado pelos caninos, os mesmos precisarão ser removidos.
  10. Reescove o animal após montá-lo, tendo novamente especiais cuidados com os pés.

Reprodução:

As éguas têm ciclos normalmente no começo da primavera ao fim de outono. Em climas quentes podendo se estender a maior parte do ano. A cada 21 ou 22 dias a égua desenvolve e libera um óvulo em um dos seus dois ovários. No período do cio ou estro a égua urina com freqüência e pisca a vulva quando está próxima do garanhão. O período médio de duração do cio é de 5 dias, sendo o intervalo médio entre os cios de 15 dias. O período mais fértil do cio está no 2º ou 3º dia após a égua entrar no cio.
As éguas iniciam a sua maturidade sexual em média aos 18 meses, tendo os machos também o seu inicio de maturidade nesta mesma idade. A primeira cobertura tanto para o garanhão quanto para a fêmea, devem estar entre os 2 a 3 anos de idade.  

Ferimentos:

Todos os ferimentos causam inflamação. Há quatro sintomas de inflamação: inchaço, calor, dor e rubor. O inchaço ocorre devido ao aumento do fluido na área dos tecidos feridos, precionando as terminações nervosas locais, causando a dor. O objetivo da dor é fazer com que o animal sinta-se ciente do ferimento para que a área seja movida o menos possível. O aumento da circulação na área ferida traz mais sangue para a superfície provocando o calor.
O processo natural da cura é normalmente muito eficiente porém resulta num período normalmente prolongado. Há dois tipos básicos de inflamação, a aguda e a crônica. Ferimentos não graves normalmente passam por um período de inflamação aguda, seguido de uma recuperação rápida de 1 a 4 semanas. Já os ferimentos graves, passam por este mesmo efeito inicial porém com uma recuperação lenta, normalmente gerando uma inflamação crônica que pode durar meses até a recuperação do animal.

Aplicação de Frio: O frio é aplicado em ferimentos recentes, minimizando os inchaços e contraindo os vasos sangüíneos. Os métodos de aplicação de frio é através de saco plástico com gelo preso ao local; uso de uma bota de gelo, perna calça ou câmara de ar com gelo; água fria de mangueira com duração de 10 a 20 minutos, uma ou duas vezes ao dia; colocar o cavalo na lama até sobre o sulco coronário, por duas horas diárias.

Aplicação de Quente: É feita para ajudar a estabelecer drenagem em feridas perfurantes em casco. O procedimento correto para este caso consiste em mergulhar a pata em um balde com água não muito quente para as mãos, diluindo duas xícaras de sais de Epsom. Fazer este procedimento por 15 a 20 minutos, uma ou duas vezes ao dia, por um período de quatro dias.

Idade:

Os dentes do cavalo crescem continuamente por toda a sua vida e se desgastam de forma característica. Por causa disso, seus dentes da frente (incisivos) são calendários sempre disponíveis que atestam a idade do animal.Com experiência e prática, é possível determinar a idade do cavalo até os 30 anos, com erro de um ou dois anos.
A técnica de se conhecer a idade de um cavalo é baseada em três grupos de mudanças dentárias: erupção (nascimento) dos incisivos definitivos; desaparecimento da cavidade dentária externa ( ou arrasamento); o desenvolvimento e desaparição do sulco de Galvayne. O sulco ocorre somente nos incisivos dos cantos superiores. Aparece primeiramente na linha da gengiva, aos 10 anos de idade. Aos 20 anos, o sulco se estende por todo o comprimento do dente. Quando está a meio caminho o animal tem 15 anos. Quando apenas a metade inferior do dente apresenta o sulco, o animal tem 25 anos.

Escovação:

Escovação regular limpa o pêlo e diminui a probabilidade de doenças de pele e parasitas. Com a prática, a escovação pode ser feita com rapidez e perfeição, sendo aconselhável escovar o cavalo diariamente. Primeiro as quatro patas devem ser completamente limpas, em seguida o corpo, trabalhando-se do pescoço para trás, após a cabeça, crina e cauda são escovadas. Cavalos que são trabalhados ou exercitados, devem ser escovados antes e depois do trabalho. O procedimento de escovação envolve passar a raspadeira, escovar a pelagem, crina e causa, limpar os olhos, narinas e a área sob a cauda e limpar os cascos. Cavalos quentes devem ser resfriados antes de serem escovados. Remova o excesso de água ou suor com uma raspadeira e esfregue uma toalha para secar o animal. 

Tosa:

Normalmente não é recomendado tosar o animal, salvo em casos específicos tais como: a natureza da pelagem, condições climáticas, a quantidade e tipo de trabalho a ser realizado pelo animal. A tosa causa desconforto ao animal em dias frios e baixam sua resistência a doenças.
Quando o animal vai trabalhar selado por um tempo considerável, é aconselhável deixar a área da sela sem tosar.Durante o tempo frio não é aconselhável tosar o animal. Animais tosados não devem ser expostos a temperaturas baixas em currais ou pastos, e devem ser sempre encocheirados e cobertos durante os meses de inverno. 

Vícios:

Apesar da gravidade de um vício específico variar, ele diminui o prazer potencial de se possuir um dado animal. Um temperamento muito ruim pode afetar a utilização do cavalo e ser perigoso para o cavaleiro.
Vícios de personalidade são os que refletem um temperamento e atitude específicos do animal. Incluem os seguintes: morder, escoicear, dar manotadas, refugar, andar para trás, fugir, bater com o rabo, etc. Todas estas atitudes são características de um temperamento ruim, e possuir estes animais torna-se perigoso. Infelizmente o temperamento de um cavalo está bem estabelecido ao nascer, é quase impossível mudá-lo. Apesar da paciência fazer maravilhas com muitos animais, a maioria dos cavalos de temperamento ruim não valem o esforço.
Vícios de cocheira são aqueles que um cavalo exibe em um estábulo ou perto de outro cavalo. Aerofagia o cavalo morde objetos sólidos, masca madeira, normalmente é proveniente de tédio. Uma coleira ajuda a eliminar esse vício.

Nutrição:

A alimentação correta exige dos seus criador ou proprietário, experiência, conhecimento, bom senso, enfim, muito mais cuidados que qualquer outro animal. Infelizmente, os cavalos são os animais que normalmente mais sofrem com a alimentação devido a falta de conhecimento de seus criadores e proprietários. Uma boa alimentação não consiste somente num pouco de feno para o animal. Os cavalos, como outros animais, digerem e utilizam a alimento sob forma de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. A necessidade desses alimentos depende da quantidade de trabalho ou produção exigida do cavalo.

Feno de Alfafa: É inteiramente seguro quando apropriadamente ministrado. Pode ser o único feno dado para os animais. Quando cortado antes da flora plena, é freqüêntemente laxante. Consiste num alimento muito saboroso e estimula o metabolismo. A alfafa é boa para o crescimento e produção de leite, tem proteínas de boa qualidade.

Feno de Aveia: É satisfatório como o único feno para cavalos maduros e inativos.Pobre em proteínas e cálcio, requer suplementos adicionais para qualquer tipo de produção ou para animais jovens em crescimento.

Feno de Cevada: Similar ao feno de aveia, porém mais pobre em proteínas e freqüentemente causa ferimento na boca.

Feno Mesclado: Consiste num alimento pobre em proteínas, possui grande conteúdo fibroso, sendo em geral um alimento pobre, causando freqüentemente muitos ferimentos na boca.

Pastagem Verde: Cavalos em pasto bom e viçoso atingem sua plenitude física e ganham peso. Um pasto bom não é superado por qualquer outra forragem em conteúdo vitamínico. Pastos jovens são muito mais ricos um proteínas e mais digerível, a medida que o capim amadurece, o conteúdo vitamínico e o sabor diminuem.

Milho Quebrado: é muito saboroso, rico em vitamina A e gordura, mas pobre em proteína e cálcio. É muito pesado e concentrado. Ter cuidado quando alimentar em grandes quantidades.

Farelo de Soja: Consiste num dos melhores suplementos de proteina. Não dê mais de 450g por dia, é um alimento pesado e não deve compor mais do que um terço da mistura total.

Prenhes:

O período médio de gestação da égua é de 345 dias. Um método fácil e razoavelmente preciso para se estimar a data de nascimento do potro, é subtrair um mês da data de cobertura e somar 10 dias (por exemplo, se a data da cobertura é 15 de maio, a data do nascimento será 15 de abrir mais 10 dias, o que será 25 de abril).

Éguas prenhes geralmente não entram novamente no cio, embora estudos tenham descoberto que cerca de 17 % das éguas prenhes mostram sinais de cio. Isso é mais comum em éguas esperando seu primeiro potro. Geralmente, esse "falso cio" será um período anormal, não durando mais que 24 horas. Se uma cobertura for tentada, a égua, na maioria das vezes, se mostrará receptiva até o último momento, e então, resistirá vigorosamente. Se a cobertura for forçada nessa época, é possível causar um aborto.

Embora existam testes laboratoriais para ajudar a diagnosticar a prenhez da égua, um exame retal realizado por um veterinário de eqüinos, experiente, não é somente mais seguro, mas também pode ser feito mais cedo e, em geral, com mais precisão, além de ser mais barato. Isso pode ser feito qualquer época passados 35 dias da cobertura.

A prenhez pode ser detectada na égua, por volta de 18 a 20 dias, usando-se ultra-som. Gêmeos podem ser detectados e abortados, usando-se prostagladina. A incidência normal de gêmeos é de cerca de 8%. Esse equipamento é muito caro e limitado principalmente à prática de grandes haras.

Sintomas aparentes que o parto está próximo:

Durante as últimas seis semanas, a maioria da éguas mostra evidência de estar "morjando". Algumas éguas podem não mostrar evidências de desenvolvimento do úbere até logo antes e, ocasionalmente, até logo após o parto. Os dois sintomas mais consistentes para indicar que o parto está próximo são os seguintes:

Preparando-se para o parto:

Deve-se providenciar um local seguro onde a égua possa dar a cria. É melhor colocar a égua que vai parir numa área afsatada dos outros cavalos. Muito freqüentemente, outras éguas vão tentar roubar o novo potro da mãe, o que pode resultar em muito aborrecimento para a mãe, e possíveis ferimentos no potro recém-nascido. Não é incomum outros cavalos atacarem um potro recém-nascido e matá-lo, se a mãe não for capaz de protegê-lo. Após o potro ter nascido, longe dos outros cavalos, não é boa política tentar colocar a égua e o potro com outros cavalos até que ele tenha, pelo menos, 2 ou 3 semanas de idade. É melhor, então, deixar os cavalos conhecerem o recém-chegado por sobre uma cerca. Permitir que as éguas dêem cria no pasto, junto com outras éguas prenhez, é uma prática comum, mas supervisão cuidadosa deve ser uma regra. A área destinada ao parto deve ser segura. Se a égua vai dar cria no pasto, não deve haver colinas ingremes, ravinas ou riachos com barrancos nas margens. Muitos potros recém-nascidos morrem por causa de quedas em áreas de parto irregulares e inseguras. Parir em uma cocheira tem duas grandes vantagens: protege contra um mau tempo e outros animais, e torna possível uma supervisão próxima, permitindo socorro imediato, se necessário. Felizmente, a maioria das éguas não tem problemas ou complicações no parto, mas é melhor estar preparado no caso de um auxílio ser necessário. 

Nascimento do potro:

Aproximadamente 90% das vezes, as éguas dão cria à noite. O processo de parto leva somente em torno de 15 a 30 minutos porque as éguas têm músculos abdominais muito fortes. Se uma égua está em trabalho de parto intenso (fazendo força para baixo e obviamente pressionando para dar cria), por mais de 30 minutos é necessário auxilio profissional, ou experiente, imediato. Não apresse a égua, deixe que leve o tempo necessário para um parto sem assintência, se tudo ocorrer bem. Normalmente, logo antes de iniciar o trabalho de parto, a égua parecerá nervosa, comento pequenas quantidades de comida e, então, andando em círculos. Pisotear um pouco o solo, chutes leves no abdome, defecação freqüente de pequenas quantidades de esterco, deitar-se e levantar-se a intervalos curtos são sinais comuns de que a hora do parto está próxima.  Logo após o "rompimento da bolsa d'agua" em torno do potro, inicia-se o trabalho de parto e uma "bolha"aparece através da vulva. A maioria das éguas dá cria deitada. A apresentação normal do potro é com as duas patas dianteiras aparecendo rezoavelmente juntas, seguindas logo pelo focinho e cabeça, logo atrás, dos joelhos.Logo que as patas dianteiras e a cabeça estão fora, o potro é normalmente expelido rapidamente, com muita força. A maioria das éguas normais requer pouco ou nenhum auxilio. Partos difíceis são normalmente devido a potros fracos, doentes ou mortos, que não estão na posição normal para nascer. Como o tempo de nascimento normal é tão curto ocorre sob grande pressão, é aconselhável que o proprietário ou pessoa que esteja acompanhando o parto, seja familiarizado com o método de corrigir situações que requer atenção imediata.   

  

 

 

 

 

Enfermidades:

Uma condição anormal que interfira com a capacidade de trabalho do animal é chamada de enfermidade. Apesar de muitos ferimentos resultarem em defeitos que não interferem no uso do cavalo, certos vícios, ou maus hábitos, podem tornar um animal indesejável, perigoso.

Mangueira - Consiste na perda da andadura normal do animal causada por doença ou ferimento. Devido à grande maioria das mangueiras serem resultado de dor.  Mancar é o sintoma da mangueira, o trote é o melhor passo para detectar uma mangueira, causando um choque violento nas pernas. Trotar com o animal num circulo pequeno de 9 a 12 m auxilia bastante a detecção de uma mangueira e a identificação de que pata ou perna está afetada. O membro afetado normalmente vai dar um passo mais curto acompanhado por um esforço rápido de retirar o peso da pata. O balanço da cabeça é sintoma de mangueira num membro dianteiro, a cabeça sobe no momento em que a pata manca atinge o solo.
As causas da mangueira são vários, apesar de vários serem resultantes de ferimentos acidentais. Mangueira aguda quase sempre acompanha uma perfuração no casco, caso o ferimento seja na parte sensível do casco.
Um cavalo com ferida perfurante deve receber proteção antitetânica. Antibióticos devem ser ministrados. Caso o ferimento tenha sido causado pela penetração de um prego ou outro objeto, após a remoção do mesmo, tratar com ungüento antibiótico,   Kopertox ou tintura de iodo. Caso não apresentar melhora em até 48 h, mergulhar a pata em uma salmoura quente.

Broca - Resultante de uma mangueira grave. O tratamento é dirigido para se estabelecer uma drenagem, fazendo o uso de antibióticos e proteção antitetânica.Quando um abscesso é localizado sob a sola , corta-se a área afetada com uma faca de casco, aliviando a pressão interna. Normalmente a recuperação é completa após o proplema ter recebido tratamento.

Tendinite - Consiste em estiramento exagerado dos tendões de uma ou ambas as patas dianteiras, podendo causas dano ou ruptura das fibras dos tendões e veias locais. Sua causa é gerada normalmente por esforço exagerado sem o condicionamento físico adequado, trabalho forte em animais muito jovem, fadiga, etc. O cavalo fica gravemente manco de repente e tenta manter a parte posterior do casco longe do chão. Bolsas de gelo devem ser aplicadas tão rápido quanto possível por 20 a 30 minutos como medida de primeiros socorros. A pata deve ser acolchoada e envolvida seguramente até que um veterinário possa ser chamado para tratar o caso.

    

   

Cascos:

O casco é feito de três estruturas distintas: a parede; a sola e a ranilha. A cada nove meses um casco completamente novo cresce. Devido a esse crescimento continuo, a parede fica longa e precisa ser aparada. A espessura da sola aumenta e normalmente há uma descamação esbranquiçada conforme ela cresce. A ranilha também cresce, fica mais larga, e necessita de aparação, regularmente. Se a ranilha crescer descontroladamente, ela vai cobrir os sulcos ou ranhuras que a separam da sola, formando um ambiente úmido, nesses sulcos, que permite o desenvolvimento de uma infecção. A aparação rotineira da ranilha abre esses sulcos para o ar e preserva as condições normais necessárias para uma ranilha e casco saudáveis.
A sola não foi feita para ser uma estrutura que suporta peso. O peso do cavalo deve ser suportado pela parede do casco. Se um cavalo não vai ser ferrado, a sola deve ser aparada em um formato côncavo para minimizar qualquer peso e a possibilidade de machucaduras por pedras. Se um cavalo não vai ser ferrado, a sola deve ser aparada em um formato côncavo para minimizar qualquer peso e a possibilidade de machucaduras por pedras.
Um cuidado adequado com os cascos deve ser uma das principais preocupações do cavaleiro para o bem-estar do cavalo e para ajudar a assegurar a sua utilização. Se o cavalo é mantido ferrado, as ferraduras devem ser trocadas ou recolocadas a cada 4 ou 6 semanas. Cavalos, éguas de cria e potros que não são ferrados devem ter seus cascos aparados pelo menos a cada 8 semanas! Mesmo se um cavalo não está trabalhando, as ferraduras não devem ser deixadas nele todo o inverno. Se forem deixadas tanto tempo, os cascos tornam-se muito longos, causando tensão excessiva nos tendões e até manqueira. Também um tempo muito longo na lama ou solo úmido, sem limpeza freqüente dos cascos, pode resultar numa infecção. Essa condição pode minar toda a ranilha, resultando numa infecção profunda do casco e, manqueira. Limpeza de rotina e aparação regular dos cascos podem ajudar a minimizar esse problema. A aplicação, duas vezes por semana, de um preparado chamado Kopertox pode prevenir esse problema. Isso é válido mesmo no meio do inverno, quando os animais estão soltos em ambiente úmido por semanas. O Kopertox tem uma base insolúvel à água, e deixa uma camada como se fosse uma bandagem.
O uso de banhos de lama, óleos, ou preparados para cascos é um auxilio no tratamento e prevenção de cascos excessivamente secos no verão. Deixar o cocho de água transbordar é uma técnica simples para deixar os cavalos terem acesso à lama.
Os cascos de um potro devem ser aparados começando na idade de 1 ou 2 meses, quando somente uma grosa é necessária para dar forma ao casco. Atenção precoce pode ajudar a corrigir problemas de aprumos, como pés arqueados ou cambaios. Membros e tendões anormais são problemas que devem ser mostrados ao veterinário em um estágio inicial de desenvolvimento.
A melhor indicação da saúde do casco é a condição da ranilha. Se a ranilha está excessivamente seca e dura, ou ressecada, isso indica que não está em contato apropriado com o solo e que, consequentemente, a circulação do casco é pobre. Isso leva a um ressecamento excessivo do casco e as paredes secas e quebradiças. Como resultado ha pouca capacidade de absorver choques. Isso, por sua vez, leva a pata a suportar mais trancos ou concussão violenta que normalmente suportaria, o que predispõe o animal à exostose interfalangeana, exostose da terceira falange ou doença do navicular.
As chaves para cascos bons e saudáveis são umidade e elasticidade normais. Os fatores mais importantes para a saúde do casco são as contrações e expansões apropriadas. O casco deve ser aparado e ferrado de modo que a pata atinja o solo de forma plana, nivelada, reta e em perfeito equilíbrio - com pressão na ranilha. A ranilha é importante na estimulação de uma circulação apropriada no caso quando entra em contato com o solo (criando, assim, uma ação bombeadora). Por isso, é desejável manter uma ranilha boa e saudável, usando-se freqüentemente o limpa-cascos, aparando-se os cascos e ferrando-se o animal apropriadamente.
Mesmo a melhor ferração não é boa para o casco. Se for necessário, como comumente é, proteger um casco, corrigir uma andadura ou falha conformacional, a ferração deve ser feita com ferraduras o mais leve possível, causando o menor desvio do eixo normal e do equilíbrio do membro. Criadores que continuamente sobrecarregam seus pobres cavalos com ferraduras pesadas, criam problemas nos membros e cascos, e estresse substancialmente excessivos.
Se os cavalos não tiverem seus cascos aparados e referrados em intervalos freqüentes e regulares, o resultado pode ser ranilhas secas, contraídas, não saudáveis e, dessa forma, problemas potenciais no casco.
E os cascos de um cavalo forem aparados a cada duas semanas, ele provavelmente nunca precisará de ferraduras.

 

 

1. Determinando a idade do cavalo:

Quando se determina a idade do cavalo através dos dentes, leva-se em consideração principalmente a data de erupção e a mesa dentária. O exame é realizado com a utilização dos incisivos ( pinça, médio e do canto ); A mesa dentária inicia-se de forma oval e com o passar do tempo vai tornando-se arredondada. Após o nascimento dos dentes permanentes, a determinação da idade fica mais difícil, necessitando de uma observação mais delicada. Deve-se analisar criteriosamente todo um conjunto de sinais para uma definição
correta.

2. A Erupção:

a) Decíduos

1o incisivo (pinça) ..........................................................Nascimento a 2 semanas
2o incisivo (médio)......................................................... 4 a 6 semanas

3o incisivo (do canto) .....................................................6 a 10 meses

Sempre os dentes superiores caem antes dos inferiores. No 1º ano de idade, os quatro incisivos já estão encostados e a mesa dentária um pouco gasta no centro.
Aos 2 anos de idade, o incisivo do canto tem um tamanho normal, a pinça possui a estrela dental e o médio está gasto.

b) Permanentes

2 1/2 anos: É a idade que ocorre a primeira troca dos 1º dentes incisivos, do 2º pré-molar e do 2º molar. Caem os superiores e depois os inferiores. Nesta fase a pinça está bem afiada.
3 anos : As pinças possuem perfeita oclusão, os incisivos do canto estão gastos ( tamanho um pouco menor) e troca do 3º pré-molar, o médio não tem taça.
3 ½ anos: O incisivo médio é trocado, assim como o 3º molar. O dente incisivo do canto superior fecha levemente caudal ao inferior.
4 anos: Os dentes médios estão fazendo oclusão perfeita, os incisivos do canto ainda não foram trocados e pode aparecer o canino inferior. O 4º pré molar já é permanente.
4 ½ anos: Troca-se os incisivos do canto.
6 anos: Inicia-se a formação da cauda de andorinha, que aparece e desaparece com o passar da idade. O canino inferior está bem desenvolvido. O dente canino é mais comum no macho e raro nas fêmeas, mas não interfere em nenhum momento em sua função reprodutiva (machorra), como dizem alguns práticos. O dente
aparece ovalado, com a diminuição do diâmetro
7 anos: Cauda de andorinha bem evidenciável.
8 anos: Inicia-se mais rapidamente o processo de diminuição da angulação entre os dentes superiores e inferiores. Este ângulo vai ficando mais agudo com o avanço da idade. A cauda de andorinha começa a sumir.
9 anos: Início da estria de Galvayne e a superfície dental começa a tomar a forma arredondada.
10 anos: A cauda de andorinha volta e os dentes são mais longos devido a sua angulação.
14 a 17 anos de idade: A superfície mostra-se triangular.
20 anos: Dente ovalado com o diâmetro menor, a estria de Galvayne está por todo o dente.

Resumo:

1o incisivo...........................................................2 ½ anos
2o incisivo...........................................................3 ½ anos
3o incisivo...........................................................4 ½ anos
Canino................................................................4-5 anos
1o pré-molar........................................................5-6 meses
2o pré-molar........................................................2 ½ anos
3o pré-molar........................................................3 anos
4o pré-molar........................................................4 anos
1o molar .............................................................9-12 meses
2o molar..............................................................2 ½ anos
3o molar..............................................................3 ½ - 4 anos

 

FERIDAS:

1. CLASSIFICAÇÃO

As feridas abertas são classificadas em :

- ABRASÃO: lesão da pele com perdas da epiderme a partir da derme;

- AVULSÃO: laceração do tecido;

- INCISÃO: criada por material cortante. As bordas são regulares e ocorre o mínimo de traumatismo nos tecidos adjacentes;

- LACERAÇÃO: ferida irregular criada pelo rompimento dos tecidos

- FERIMENTO POR PUNÇÃO: ferida penetrante da pele causada por um projétil ou

por um objeto pontiagudo. Há contaminação por pêlos e bactérias com subsequente infecção.

As feridas abertas quanto à duração da contaminação:

CLASSE 1 : de 0 a 6 horas, com mínima contaminação.

CLASSE 2 : de 6 a 12 horas, com significativa contaminação.

CLASSE 3 : mais de 12 horas, com intensa contaminação.

Quanto ao grau de contaminação:

1. Feridas limpas: criadas cirurgicamente sob condições assépticas

2. Contaminada limpa: contaminação mínima e facilmente removível

3. Contaminada: intensa contaminação com presença de corpos estranhos

4. Suja e infectada: caracterizada por processo infeccioso em curso

Feridas contaminada limpa e contaminada, podem ser ocluídas em seguida ao tratamento apropriado. Uma ferida infectada não deve ser ocluída primariamente.

TIPOS

Ferida é uma solução de continuidade da pele que pode ser: perfurante (mordida), perfuro-contusa (quando. há tração), incisa (cortes), contusa (lesões SC e próximos a ele), arrancamento. Há tipos especiais de feridas: escoriação ( abrasão da pele sem solução total), arranhadura, esmagamento (maceração tecidual por alta tensão).

Até 6 horas da ocorrência da ferida aplicar anti-sépticos para tornar uma ferida infectada em limpa contaminada.

1º grau: Formol 2º grau: PVPI, Clorexidine 3º grau: Amônia quaternária

As feridas podem ser:

SIMPLES - Só pele.

COMPLEXA - Pele e outras estruturas: PENETRANTE: CEGA ou TRANSFIXANTE

                                                           NÃO PENETRANTE

2. TRATAMENTO

Os fatores locais das feridas que afetam a resistência à infecção são: corpo estranho, tecido necrosado ou isquêmico, oclusão da sutura sob tensão, hematoma, espaço morto, etc.

A resistência à infecção pode ficar prejudicada por uma afecção sistêmica como o diabete mielito descontrolado, hipoproteinemia, etc. Em gatos a cicatrização da ferida fica prejudicada pelo vírus da leucemia felina, peritonite infecciosa felina, além de agentes farmacológicos como corticosteróides que potencializam a infecção da ferida.

Comumente, a oclusão primária é efetuada quando a ferida é limpa ou contaminada limpa. A oclusão primária retardada é levada a termo 48 a 72 horas depois que ocorreu o ferimento e antes de se formar tecido de granulação. A oclusão secundária consiste da oclusão da ferida após a formação de tecido de granulação, ela pode ser combinada com técnicas cirúrgicas reconstutivas para se evitar o excesso de tensão na ferida. Feridas visivelmente exudativas são tratadas como feridas abertas.

Em geral deve haver mínima interferência com a ferida, antes de se estabelecer o tratamento definitivo. Agentes tópicos com anti-sépticos, adstringentes, pomadas, pós e soluções, podem inibir a cicatrização normal da ferida, causando lesão química nos tecidos.

3. LIMPEZA DA FERIDA

A bandagem deve ser aplicada em feridas limpas, contaminadas limpas e contaminadas, na intenção de evitar maior contaminação, automutilação e controlar hemorragias.

Deve-se proteger a ferida aberta com gaze ou esponja não aderente, pomadas esterilizadas hidrossolúveis, iodo polvidona, gluconato de clorexidine. São soluções de lavagem efetiva para preparação da pele.

A quantidade de bactérias no interior da ferida aberta pode ser reduzida por meio de debridamento cirúrgico, lavagem da ferida, quimioterapia antimicrobiana. Água oxigenada tem pouco valor anti-séptico e causa lesão ao eixo capilar além de retardar a cicatrização, não tendo então qualquer valor positivo no tratamento das feridas.

O debridamento é a remoção do tecido desvitalizado de uma ferida com o objetivo de converter a ferida a um estado de limpeza e irrigação sanguínea adequada para a cicatrização normal.

Os antibióticos tópicos normalmente utilizados são: pomada de bacitracina (neomicina), polimixina, pomada de iodo polvidona, nitrofurazona e sulfato de gentamicina.

Os antibióticos sistêmicos podem ser utilizados de modo profiláticos ou terapêuticos: Profiláticos ( cefalosporinas, gentamicina, penicilina ); Terapêuticos somente com antibiograma; Mordedura de cão e gato ( amoxilina ou ampicilina )

4. COMPLICAÇÕES NA CICATRIZAÇÃO DA FERIDA

Pode ocorrer deiscência da ferida precedida por necrose das margens cutâneas, soro sob a pele, corrimento serosanguinolento pela linha de sutura. Caso seja descartada a possibilidade de infecção poderá ser feita a oclusão primária da ferida por meio de uso de dreno de Penrose, para que sejam obliterados os espaços mortos. Caso esteja ocorrendo infecção, a ferida é tratada como aberta e fecha-se por 2ª intenção.

- Formação de hematomas e seromas;

- Contratura da ferida;

- infecção.

Infertilidade:

Vários fatores podem levar o garanhão à infertilidade, mas podemos classificar em infertilidade congênita ou adquirida:

ADQUIRIDA:

- Esteróides anabólicos, deprimem a espermatogênese. Após a retirada da droga o processo volta ao normal em torno de três meses.

- Pirexia, qualquer doença que cause aumento na temperatura é provável causar interrupção na espermatogênese. SPTZ normais devem aparecer no ejaculado dois meses após a recuperação.

- Uso em demasia.

- Alguns garanhões produzem um número maior de SPTZ anormais após repouso sexual prolongado.

- Infecção ativa no trato genital (orquite, epididimite, vesiculite seminal)

- Duas condições virais : exantema coital e arterite viral equina ( atrofia testicular ).

- Botriomicose por Staphylococcus aureus , espessamento do cordão espermático por granulação do coto do cordão espermático.

- Orquite pode ser iniciada por traumatismo ou infecção. Provoca inicialmente aumento de volume, escroto mais penduloso, dor, e se não tratado atrofia e fibrose do testículo.

- Psicológico.

- Tumores testiculares são raros

- Torção testicular (sinais agudos de cólica) ou do cordão espermático (redução aporte sanguíneo)

- Fibrose do epidídimo ( obstrução do ducto )

- Hemospermia

- Aumento do volume escrotal ( edema, hemorragia, hérnia)

- Degeneração testicular, a causa mais comum é a lesão térmica. A espermatogênese ocorre em temperatura inferior à corporal. Qualquer condição que resulte da elevação da temperatura escrotal irá prejudicar a fertilidade normal, resultando em atrofia testicular.

TRATAMENTO PARA INFECÇÕES GENITAIS

- Não lave o pênis do garanhão rotineiramente com anti-sépticos porque eles aumentam a incidência de pseudomonas resistentes

- Gentamicina parenteral 2x dia (4,4 mg/kg) ou Neomicina 2x dia( 3g.)

OU:

- Lavar pênis e prepúcio com água morna e sabão neutro

- Não usar Clorexidine (interfere na espermatogênese)

- Secar bem o pênis

- Pomada com Neomicina, polimixina, furazolidona

-  5 dias

CONGÊNITO:

- Criptorquidismo bilateral ou unilateral

- Hipoplasia de ambos testículos (raro)

- Atrofia ou fibrose dos testículos

- Hormonal

Tipos e diferenças de medicamentos
  • Antianêmicos e anti-hemorrágicos
    Usados para melhorar as condições do sangue. Parasitos ou deficiência de vitaminas podem causar anemia. Este medicamento permite melhor coagulação nas hemorragias.
  • Vacinas
    Produtos biológicos que contém agentes de infecção. Utilizado para proteger os animais de doenças de virais.
  • Antibióticos
    Utilizado no combate às infecções bacterianas como a penicilina, estreptomicinas, cloranfenicol, tetraciclinas, vancomicina, rifamicinas, gentaminina, cefalosporinas.
  • Antiparasitários
    Vermífugos, inseticidas e repelentes que agem contra os parasitos internos como vermes e externos como carrapatos e sarnas.
  • Furanos
    Utilizados no combate às infecções bacterianas, em aplicações locais.
  • Sulfas
    Medicamento usado na ação contra as bactérias.

Laminite:

 

INTRODUÇÃO

 A laminite é uma doença vascular periférica do casco equino, onde ocorre necrose isquêmica devido à menor profusão da lâmina e desvio arteriovenoso. Ainda mais que uma alteração vascular, envolve processos de desordem metabólica sistêmica:

- Cardiovascular;

- Renal;

- Endócrino;

- Coagulação Sanguínea;

- Desequilíbrio ácido / base.

É um processo que envolve dor, e alguns fatores são predisponentes ao desencadeamento da doença, tais como a ingestão de grande quantidade de grãos, ingestão de agentes químicos derivados de vegetais com efeitos vasoativos, endotoxemia, administração de corticosteróides e em alguns casos, excessiva sustentação de peso ou a concussão grave e repetida sobre o casco. Contudo, em alguns casos, não é encontrada uma explicação convincente.

Pesquisas demonstraram que o excesso de carboidratos desenvolve quadro de laminite em 3 horas após a administração exagerada de carboidratos. O que ocorre é uma grande produção de endotoxinas e a lise da parede bacteriana G-negativa, alteração do ph e da mucosa do ceco, o que permite a saída de endotoxina para a corrente sanguínea e consequentemente o desenvolvimento de laminite. Através de estudos realizados na Califórnia, observou -se que quando é administrada endotoxinas no equino, não há sinais clínicos de laminite, mas animais com sobrecarga de carboidratos, tiveram um aumento nos níveis de endotoxinas plasmáticas. Observou -se que quando é feita a infusão constante de endotoxinas em um animal não sensibilizado, o efeito é mínimo, mas em cavalo sensibilizado, ou seja, que já tenha desenvolvido o quadro de laminite, o efeito é bastante grave. Concluiu -se que o que ocorre não é a produção de endotoxinas por causa do excesso de carboidratos, na realidade, existe a produção contínua de endotoxinas por um período prolongado de tempo. Isso explica porque um animal que já teve laminite tem maior predisposição a um novo aparecimento da doença. Existe a hipersensibilidade levando a uma resposta local dos tecidos, as reações da derme já estão bem relacionadas com as reações da lâmina, neste caso o tratamento com heparina e fenoxybenzamina reduz essas reações e alivia a gravidade da laminite.

Muitos animais estressados ou com trabalho excessivo, desenvolvem quadro de laminite por causa da grande liberação endógena de corticosteróides. Nem todas as laminites são decorrentes de endotoxinas, deve -se considerar estresse, inflamações, traumas, exercícios impróprios, maravalha de carvalho negro, etc.

SINAIS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICO

Independente das diferentes possibilidades etiológicas, os sinais clínicos são bem similares sendo facilmente identificados. São encontradas formas hiperagudas, agudas e crônicas, embora quase todos os casos crônicos sejam agudos em fase de recuperação. Comumente o cavalo irá se inclinar para trás, quando os cascos do membro torácico estiverem afetados com maior intensidade, nos casos em que todos os membros estiverem afetados em igual intensidade, o animal adotará uma postura de "cavalinho de balanço", com os quatro membros reunidos sob o abdômen. Todos os animais afetados se mostram relutantes em se mover. Quando o cavalo é levemente acometido, ele pode caminhar com relativa facilidade, porém observa -se o movimento característico talão -pinça, em que o talão é posicionado no chão em primeiro lugar e o pé é levantado rapidamente, o que resulta de uma ambulação arrastada e rígida.

Os cascos afetados, estão quentes e doloridos, e o pulso colapsantes pode ser facilmente palpado nas artérias digitais palmares. A respiração é rápida e a frequência cardíaca está aumentada.

Existem 2 processos nesta lesão digital, o primeiro é vasoativo e depois ocorre a coagulopatia. Estudos com nucleares radioativos mostraram que nos casos de laminite existe um menor fluxo sanguíneo ( vasoconstrição periférica ), ou seja, alterações na microcirculação. Nos shunts arteriovenosos ocorre um desvio atriovenoso, e se ligam à parede. Essa patofisiologia dilatam os shunts através de fatores humorais e neurológicos, o fluxo vai rápido para o sangue venoso e o resultado é a isquemia. O sangue oxigenado não é devolvido aos capilares e o shunt se dilata ( by pass do sangue no shunt ).

Na fase aguda o pulso palmar está forte, há grande liberação de catecolamina (vasoconstritora) e há coagulopatia entre a derme e a epiderme da lâmina do casco. Ocorre edema por causa da permeabilidade vascular e a transcapilaridade devido à vasoconstrição, hemograma de estresse, aumento do lactato (acidose).

A necrose progressiva e a ruptura do plexo venoso e das lâminas do casco ( a lâmina epidérmica forma vacúolos, desorganiza-se e necrosa, é a primeira a desaparecer) resultam na separação entre o casco e a terceira falange. É bem comum encontrar sangramento em decorrência da grave ruptura das lâminas. A rotação da terceira falange, em direção ao interior do casco, resulta da combinação da separação das lâminas dorsais e da contínua tensão sobre o tendão flexor profundo, quanto maior a rotação, pior é o prognóstico. A ação do cavalo durante o movimento exerce tensão ainda maior sobre o tendão flexor, à medida que o animal tenta aplicar peso cada vez maior sobre os talões. Tão logo é iniciado o movimento de rotação do osso podal, o processo terá continuidade devido à persistente tensão nos flexores e a força aplicada na porção dorsal da articulação interfalangeana distal com o descolamento da lâmina. A pressão continuamente aplicada ao casco pode fazer com que a margem solar distal da terceira falange avance através da sola mas, mesmo sem isso fica evidente alguma distorção da sola. A ressecção do tecido da sola melhora o fluxo sanguineo e alivia a pressão nos vasos, assim como a desmotomia do tendão flexor profundo. Uma considerável ruptura das inserções laminares, ocorrente nos casos mais agudos ( animais que sofrem toxemia grave) permite que a terceira falange penetre no casco sem que haja muita rotação. Em casos graves, o casco pode separar -se completamente, ou ocorrer a separação da coroa em áreas limitadas. O animal pode ir a óbito em consequência da laminite.

A forma crônica caracteriza -se por rotação do osso podal, espessamento dorsal da muralha do casco, causado pelo excessivo crescimento das lâminas, até formar uma cunha laminar, uma sola convexa. Com frequência são detectados anéis divergentes na muralha do casco, alargamento da linha branca.

A extensão das alterações crônicas podem ser quantificadas radiograficamente mediante o uso de protrador, para que seja medida a distância entre a lâmina e a terceira falange. O prognóstico é avaliado a partir dessa medida e da intensidade da claudicação. A espessura da muralha do casco também pode ser indicativa de cronicidade. Podem ser observadas formas crônicas de laminite em cavalos que estão em processo de recuperação, e em animais que sofrem repetidos (mas de pouca intensidade) episódios. Nestes casos, as alterações são comumente mais brandas e um pouco menos dolorosas.

TRATAMENTO

Os corticosteróides são contra - indicados por causa da não aceitação das catecolaminas pela vascularidade digital, principalmente dexametazona. As catecolaminas são vasoconstritoras, e nesse caso o que não queremos é uma vasoconstrição, isso pioraria ainda mais o quadro de isquemia. Altos níveis de esteróides podem promover laminite. Em presença de dor, os corticosteróides aumentam a resposta vascular às catecolaminas que fazem a vasoconstrição. Assim corticosteróides são muito contra - indicados. Isso explica também o porquê da ocorrência de laminite em animais que sofrem atividades físicas inadequadas.

Animais com hipotireoidismo durante anos, podem desenvolver quadro de laminite, assim como animais que ingerem sobrecarga de carboidratos, há diminuição de T3 e T4 mesmo com a tireóide normal ( laminite induzida ).

Deve -se evitar a rotação da terceira falange.

As drogas utilizadas são :

- ISOPROMAZINA : 30 mg IV (na hora)

redução da dose no período de 7 dias

bloquear o processo de vasoconstrição (a bloqueador)

vasodilatador

- HIDROCLORETO DE ISOXSUPRIME : VIA ORAL

melhora o fluxo sanguineo

maior relaxamento arteriovenoso dos vasos digitais

a artéria relaxa antes da veia

Isopromazina não é aconselhável em garanhões por causa da parafimose, então trata-se apenas com hidrocloreto de isoxsuprime, embora o resultado não seja tão eficaz.

- ANTI-INFLAMATÓRIOS :

DMSO - 0,1 mg / Kg IV

reduz lesões causadas pela perfusão

bactérias gostam de lugares com suprimento sanguíneo afetado

ASPIRINA (NSAID’S) - 10 a 20 mg / Kg VIA ORAL

para coagulopatia, é mais aconselhável que a heparina

reduz a formação de trombos e melhora a perfusão

Baias com areia exercem menor tensão sobre o tendão flexor digital profundo, é mais confortável ao animal e com isso existe menor produção de catecolaminas, pois existe menos dor.

Palmilhas vulcanizadas são bem utilizadas, assim como bandagens com borrachas não vulcanizadas.

Anestésicos perineurais exerce um efeito imediato de alívio, porém após o efeito, o quadro de laminite piora.

Banamine é indicado em casos de metrite.

 

RAIVA EQUINA

1. ETIOLOGIA

É considerada uma importante zoonose de etiologia viral. O vírus é classificado como DNA vírus, da família Rhabdoviridae, do gênero Lyssavírus.

O uso de formol a 5%, luz solar e irradiação ultravioleta, inativam o vírus.

São transmitidos aos equinos através de mordedura de cão, morcegos ou qualquer outro animal positivo.

2. PATOGENIA

Exclusivamente o sistema nervoso central é atingido e a partir dos nervos periféricos, os vírus são carreados para outras partes do organismos. O período de incubação depende do local afetado: quanto mais perto da cabeça, mais curto o período de incubação.

De 2 a 6 dias o vírus pode atingir o cérebro e alcança as glândulas salivares através dos nervos cranianos.

3. SINAIS CLÍNICOS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Os sinais clínicos variam de acordo com o estado do animal e o local da lesão, mas basicamente ocorre inquietação, excitação, salivação, "sorriso sarcástico", midríase, atitude agressiva, forte tendência para morder.Algumas vezes ocorre apenas tremores e contraturas musculares.

Progressivamente assume a forma paralítica , decúbito, movimentos de pedalagem, coma e morte. A anamnese é muito importante, levando em conta feridas e mordedura de animais.

Não existe um tratamento específico, os animais portadores devem ser eutanasiados e suas carcaças deverão ser incineradas.

 

SONDAGEM NASOGÁSTRICA


1. INTRODUÇÃO

A sondagem nasogástrica (SNG) se faz presente na maioria dos casos de cólica nos eqüinos, é a atitude prioritária do médico veterinário quando existe um quadro de cólica com taquipnéia e taquicardia acima de 60 bpm. Nos casos de obstrução esofagiana, usa-se a sonda para localizar a altura da obstrução para eventual procedimento cirúrgico. A SNG é usada tanto em manobras terapêuticas como diagnósticas.

2. TÉCNICAS DE SONDAGEM

A SNG somente poderá ser realizada através do médico veterinário, pois trata-se de uma manobra delicada que exige conhecimentos de anatomia e fisiologia do cavalo. Segue-se aqui uma listagem de detalhes sobre tal procedimento:

- Na primeira tentativa de sondagem deve-se usar a sonda mais calibrosa, caso contrário, se for necessário trocar de sonda, será mais difícil colocar uma sonda mais calibrosa depois de ter passado uma sonda menos calibrosa;

- Se a sonda estiver muito rígida ou o tempo muito frio, deve-se colocá-la em água morna para torná-la mais maleável;

- Fazer a lubrificação da sonda com vaselina, não se lubrifica com pomada de xilocaína, na tentativa de evitar a dor pela sonda, porque esta inibe o reflexo de deglutição;

- Alguns animais necessitam de cachimbo para sua contenção isso não atrapalha a SNG, outros por estarem muito inquietos precisam ser tranqüilizados com uso de acepromazina ou romifidina, vale lembrar que a tranqüilização só deve ser feita em último caso, pois altera parâmetros fisiológicos importantes para a avaliação da da cólica;

- A sonda deve passar pelo meato nasal ventral, para isso pressiona-se a sonda contra a região ventral da narina;

- Flexionar a cabeça do animal, para que a sonda tenha menor chance de ir para a traquéia (pode ser fatal) ;

- Ao tocar a faringe com a sonda deve-se assoprar para estimular a deglutição e dilatar um pouco o esôfago;

- Através da goteira jugular esquerda pode-se observar a passagem da sonda;

- A retirada da sonda deve ser lenta, no sentido da narina e com o dedo tampando o orifício de saída da sonda.


3. EVENTUAIS OCORRÊNCIAS NA SONDAGEM

- Pelo fato da traquéia ter um diâmetro maior que o esôfago e possuir anéis cartilaginosos, é mais fácil a sonda chegar até a traquéia, se isso ocorrer o animal irá tossir e poderá ocorrer consequências extremamente desagradáveis, tais como pneumonia, asfixia , óbito.

- Pode haver sangramento que nem sempre é importante, esse sangramento acontece pelo fato da mucosa nasal do cavalo ser muito sensível e facilmente lesionada, outras causas são: atingir meato médio ou o etmóide.

- Epistaxe em casos de : pouca lubrificação, cabeça mal contida, diâmetro grande da sonda, flexibilidade inadequada da sonda, manuseio incorreto.

- Perfuração gástrica.

4. LAVAGEM GÁSTRICA

Após ser colocada a sonda, haverá o refluxo do conteúdo gástrico através da sonda, esse conteúdo deve ser colocado em um balde para se saber a quantidade de líquido que está saindo do estômago e para medir o pH desse líquido. Caso não haja nenhum refluxo, pode ser que o estômago esteja vazio ou compactado, então coloca-se 4 a 6 litros de água morna através da sonda e depois essa mesma quantidade deve ser retirada, esse processo deve ser repetido até que a água saia limpa. Se o animal tiver ruptura gástrica, a água colocada não retornará. O estômago do cavalo tem capacidade para 15 a 18 litros, na duodenite-jejunite proximal (enterite anterior) o refluxo intestinal para o estômago é muito grande, variando de 40 a 80 litros , todo esse líquido deve ser reposto em fluidoterapia e a sonda passada várias vezes. Deve-se analisar a consistência, presença de vermes, pH, cor, odor, quantidade, etc. 

Cavalo sadio: conteúdo gástrico com odor doce,  pH entre 3 e 6,  500 ml de líquido Coloração verde.

Cólica gástrica: odor é fermentado, fluido nem sempre drena; pH mais ácido (2,6)

Cólica intestino delgado: odor fétido grandes volumes coloração amarelo amarronzada pH entre 6 e 8

Pleuropneumonia:

 1. Introdução

Nos cavalos, a pleuropneumonia infecciosa está associada à pneumonia disseminante, feridas penetrantes torácicas, infecções sangüíneas e abcesso pulmonar . Pleuropneumonia tem sido considerada uma doença clínica que manteve um prognóstico reservado, para a vida e o futuro respiratório, na sobrevivência dos eqüinos.

O prognóstico mais reservado tem sido associado com infecções envolvendo bactérias anaeróbicas. O aparecimento de uma seqüela complicada para a pleuropneumonia é responsável pelo decréscimo de sobrevivência.

Pleuropneumonia tem um bom prognóstico para a vida do animal, mas um mau prognóstico para a performance do cavalo. A evolução de um bom prognóstico ocorre a partir de 4 princípios clínicos que juntos fornecem um bom resultado no tratamento e manejo das efusões pleurais :

1) diagnóstico por ultrassonografia;

2) drenagem torácica mais efetiva;

3) uso de antibióticos para infecções mistas durante um longo período;

4) apurado suporte laboratorial.

De todas essas contribuições, a ultrassonografia fornece maior impacto para a sobrevivência e diagnóstico definitivo. As interpretações e aplicações de cada suporte clínico, pode ajudar a produzir um resultado positivo.

2. HISTÓRIA E SINAIS CLÍNICOS

Pleuropneumonia está presente em todas as idades, podendo ocorrer espontaneamente, secundária a vírus, infecção bacteriana, exercícios exagerados, anestésicos, feridas penetrantes no esôfago ou tórax. Os microorganismos fungos, vírus, bactérias anaeróbicas e aeróbicas, parasitas, estão incluídos.

Os sinais clínicos variam muito e a doença pode ser erroneamente diagnosticada ou não diagnosticada sem o procedimento apropriado de toracocentese ou ultrasonografia. Sempre que uma leve tosse ou uma pleurodynia (?) , estiver presente o clínico pode relativamente ir desconfiando de pleuropneumonia.

Exudato nasal com odor fétido ou sero-sanguinolento, com diminuição de frequência respiratória, a região pode ser considerada como pleuropneumonia similarmente como pulmão infartado.

Esses achados juntamente com a história sugestiva do paciente pode representar um sinal clínico clássico, embora eles possam estar ausentes, deve ser respeitado cada indivíduo em sua condição clínica e o estágio da doença.

Existem algumas enfermidades que podem confundir ou complicar o diagnóstico da pleuropneumonia : laminite e cólica, podem estar presentes coincidentemente no cavalo.

O estágio cronológico da infecção parapleural inclui exudato fibrinopurulento organizado, a patologia subsequente resulta de um aumento na pressão hidrostática, permeabilidade capilar, trocas de gradiente oncótico, e decréscimo na drenagem linfática. O eventual acúmulo de fluido exudativo dentro da cavidade torácica denota espaço morto que abriga microorganismos patógenos. O fluido favorece a proliferação bacteriana, tecido necrosado e pode neutralizar a terapia anti-microbiana.

A efetivação do tratamento antimicrobiano sistêmico é diminuída pelo volume diluído , trocas de ph e formação de exudato co-precipitado dentro da cavidade torácica.

3. DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de pleuropneumonia pode ser dividido em preliminar subjetivo, definitivo e auxiliar. Preliminar subjetivo inclui sinais clínicos e avaliações laboratoriais. O auxílio laboratorial pode demonstrar hematologia normal ou toxêmica e achados químicos em casos agudos. Nos casos crônicos a coloração do sangue está mais consistente com inflamação crônica presente ( anemia, neutrofilia, hiperfibrinogenemia, hiperproteinemia que elabora gama globulina.).

O diagnóstico definitivo inclui toracocentese, radiografia torácica e avaliação ultrassonográfica. Toracocentese deveria ser realizada e depois ser confirmada pela citologia e microbiologia da inflamação séptica. Na maioriados casos é preferível avaliar a toracocentese enquanto o paciente está livre de antibióticos pelo menos até 24 horas, para isolar melhor o agente causador.

Uma lavagem traqueal é indicada simultaneamente para melhorar a recuperação da pleuropneumonia. Radiografia torácica pode demonstrar característica densidade ventral com fluido linear, mas pode deixar de mostrar pequenos fluidos ao redor da sombra cardíaca ou revelar uma linha distinta abaixo da consolidação cranioventral ou abscedação. Radiografia também pode não distinguir efusão uni ou bilateral, por isso a ultrassonografia é mais aconselhável, ela oferece um acesso adicional da cavidade torácica com a estrátégia determinada para o procedimento de toracocentese.

A característica do fluido torácico (célularidade, contraste de partículas hemorrágicas, fibrinas, etc.), e a avaliação do parênquima pulmonar , incluindo abscesso, consolidação ou infarto (pulmão hepatizado), ou grau e distribuição da aeração pode ser determinado pelo diagnóstico ultrassonográfico. Excesso de fluido celular torácico é representativo de exudato com células inflamatórias (neutrofilia), empiema ou células vermelhas sugestivo de necrose com hemorragia. Partículas contrastadas podem ser considerads como infecção bacteriana anaeróbica secundária , embora o auxílio diferencial pode incluir fonte de ar de feridas penetrantes, toracocentese e fístulas brocopleural.

MORMO

1. EPIDEMIOLOGIA

O Mormo é uma das mais antigas doenças conhecidas e já foi prevalente (encontrada) em todo o mundo. Atualmente está erradicada ou efetivamente controlada em muitos países, estando restrita geograficamente à Europa Oriental, Ásia Menor, Ásia, Norte da África e agora Nordeste do Brasil. Foi virtualmente erradicada do Norte da América e era considerada inexistente no Brasil, embora tenham sido constatadas reações positivas, ainda não se tinha comprovado casos desta enfermidade. A doença é altamente fatal e de grande importância em qualquer população eqüina.

2. DEFINIÇÃO

O Mormo ou Lamparão ou Farcinose é uma doença infecto-contagiosa dos equídeos, que ocorre tanto na forma aguda ou crônica, causada pelo Malleomyces mallei, que pode ser transmitida ao homem e também a outros animais. Manifesta-se por um corrimento nasal viscoso e a presença de nódulos subcutâneos ou úlceras no trato respiratório superior, pulmões, nas mucosas nasais, pele, gânglios linfáticos, etc.

3. TRANSMISSÃO

Os animais contraem o mormo pelo contato com material infectante do doente: pús; secreção nasal, urina ou fezes contaminadas. O agente da doença penetra por via digestiva, respiratória, genital ou cutânea, sendo esta última só por alguma lesão. Ao atingir o organismo, o microorganismo entra na grande circulação e em seguida alcança os órgãos, principalmente os pulmões e o fígado. O período de incubação dura cerca de 4 dias a 2 semanas, e depois disso os animais acometidos desencadeiam os sinais clínicos da doença. A morte ocorre em pouco dias.

4. SINAIS CLÍNICOS

O mormo pode se apresentar de duas formas : Aguda ou Crônica. Os animais podem sobreviver por anos e disseminando a doença. O prognóstico é desfavorável. Animais suspeitos devem ser isolados e submetido à prova de maleína sendo realizada e interpretada por Médico Veterinário.

A) AGUDA

Febre de 42ºC, fraqueza e prostação; aparecimento de pústulas na mucosa nasal que se transformam em úlceras profundas e dão origem a uma descarga purulenta, inicialmente amarelada e depois sanguinolenta; há   entumecimento ganglionar, infartados e edemaciados e o aparelho respiratório pode ser comprometido, surgindo dispnéia.

B) CRÔNICA

A forma crônica é comum em cavalos e ocorre como uma condição debilitante, se localizando na: pele; fossas nasais; laringe; traquéia; pulmões, porém de evolução mais lenta; pode mostrar também localização cutânea semelhante à forma aguda, porém mais branda, há envolvimento nodular e ulcerativo.

Os principais órgãos afetados apresentam os seguintes sinais clínicos:

PULMÃO: Ocorrem pequenos nódulos, com centros caseosos ou calcificados. Se o processo é extenso, o quadro pode evoluir para pneumonia moromosa. Os nódulos tendem a se decompor, resultando numa extensão da infecção ao trato respiratório superior.

NARINAS: Formação de nódulos no septo nasal e mucosas. Os nódulos podem evoluir para úlceras profundas, irregulares e elevadas.

GÂNGLIOS: Os gânglios submaxilares estão inchados e mais tarde tornam-se aderentes a pele. Os nódulos aparecem ao longo do trajeto dos vasos linfáticos, particularmente dos membros. Tais nódulos degeneram-se e formam úlceras que eliminam pus altamente infeccioso e pegajoso. O fígado e o baço também podem mostrar lesões nodulares.

5. DIAGNÓSTICO

É realizado através de suspeita clínica e de testes laboratoriais. Além do teste de Maleína (o procedimento de eleição), a fixação de complemento é o mais específico dentre os métodos sorológicos disponíveis. Outros testes
usados são o da hemaglutinação, usando a maleína como antígeno, o da absorção de complemento da conglutinina e cultura do exsudato das lesões que revelará o agente etiológico. Os testes da maleína ou da fixação de complemento devem ser usados para descobrir os casos de portadores ocultos, que são o principal problema no
controle da doença.

6. PROFILAXIA

Devem ser realizadas as seguintes medidas: Notificação imediata à autorização sanitária competente; Iisolamento da área onde foi observada a infecção; Isolamento dos animais suspeitos como resultado da prova de maleína e sacrifício dos que reagiram positivamente à mesma prova repetida após dois meses;  Cremação dos cadáveres no próprio local e desinfecção de todo o material que esteve em contato com os mesmos;  Desinfecção rigorosa dos alojamentos; suspensão das medidas profiláticas somente três meses após o último caso constatado.

7. TRATAMENTO

Os produtos usados devem ser a base de sulfas, principalmente sulfadiazina e sulfatiazol ou sulfacnoxalina ou cloranfenicol e outros, em forma de grupos antibióticos. Em aproximadamente 20 dias pode se observar resposta do paciente.

 

Alterações Hormonais no Parto:
 

Existem várias alterações na égua que nos dizem a proximidade do parto. Entre eles os principais são :

- A égua se isola da manada 24 horas antes do parto;

- A vulva se torna edemaciada, como se estivesse no cio, e em uma posição mais ventral que o normal;

- Os ligamentos pélvicos ficam relaxados e o rabo abaixa;

- A glândula mamária aumenta de volume, na última semana forma-se secreções, 48-72 horas antes do parto surge a "cera" e 24 horas o colostro pode ser visualizado.

 

Os principais hormônios alterados são:

* Progestágenos:

Altos níveis próximo do parto e baixos níveis de estrógenos, desencadeia o parto. Há mudanças na relação entre um e outro. Não se trata de quantidade, mas sim de relação.

* Ocitocina

Provoca contração uterina.

* Relaxina

Está presente durante toda a gestação, principalmente no último trimestre. Relaxa e conforta o feto durante sua permanência no útero. É secretada pela placenta. Tem função de relaxar a cérvix e permitir a passagem do feto.

* Prostaglandina

Desencadeia o parto, semelhante à ocitocina.

* Insulina

Diminui a secreção para que haja sobras de açúcar para o feto.

* Prolactina

Promove o desenvolvimento do úbere no final da gestação.

* Cortisol fetal

Desencadeia o parto. Indica a maturidade do feto.

 

Considerações no Parto:

1. EXAME OBSTÉTRICO

ANAMNESE

ESTADO GERAL DA PARTURIENTE

SINAIS DE ALARME

EXAME EXTERNO ESPECÍFICO

ABDOME

ÓRGÃOS GENITAIS

GLÂNDULA MAMÁRIA

EXAME INTERNO ESPECÍFICO

VIAS FETAIS

CONDIÇÕES DAS BOLSAS FETAIS

CONDIÇÕES DO FETO

RECONHECIMENTO DAS PARTES FETAIS

GESTAÇÃO MÚLTIPLA

TAMANHO DO FETO

SINAIS DE VIDA DO FETO

SINAIS DE MORTE FETAL

 

2. PROGNÓSTICO OBSTÉTRICO

INTERVENÇÃO NO PARTO

INSTRUMENTOS

ANESTESIA

 

3. DISTOCIAS DE ORIGEM MATERNA

AUSÊNCIA DE CONTRAÇÃO UTERINA E ABDOMINAL

CONTRAÇÕES EXCESSIVAMENTE VIOLENTAS

ESTREITAMENTO DA VIA FETAL DURA

ESTREITAMENTO DA VIA FETAL MOLE

ABERTURA INSUFICIENTE DO CANAL CERVICAL

LARGURA INSUFICIENTE DO CANAL CERVICAL

DESLOCAMENTO DO ÚTERO GRÁVIDO

VERSÃO E FLEXÃO VENTRAL

TORÇÃO DO ÚTERO

 

4. DISTOCIA DE ORIGEM FETAL

ALTERAÇÃO DE ESTÁTICA

MALFORMAÇÃO

Estágios do Parto:

1 º ) Prodrômica

Clinicamente é externado por um desconforto, sudorese crânio-caudal ( mais discreta em animais mais velhos). É uma fase reversível, ou seja, o animal pode apresentar-se nesse estágio e não parir. Ocorre cólica, dor abdominal pela dilatação da cérvix, liberação de tampão mucoso que impede o contato do meio externo com a placenta.

2 º ) Atividade miometrial e dilatação cervical

Inicia-se com as primeiras contrações até o rompimento das bolsas fetais. Rompe-se a membrana córion-alantóide e o líquido alantoideano (formado por excreções fetais) é derramado (cerca de 8 a 12 litros). Dura de 1 a 4 horas.

3 º ) Expulsão dos anexos fetais e do feto

Vai desde o rompimento dos anexos fetais ( em torno de uma hora) até a expulsão do feto( 10 a 40 minutos).

A placenta da égua é do tipo epitélio-corial difusa, tornando difícil qualquer tipo de troca entre mãe e feto, em compensação a extensão da placenta é bem grande e facilmente rompível.

Exame Obstétrico:

ANAMNESE

A idade dos animais é um fator muito importante que pode nos indicar alguns problemas:

- Fêmeas primíparas apesar de apresentarem boa capacidade de articulação e apreciável relaxamento dos ligamentos sacro-isquiáticos, tem grandes possibilidades de desenvolverem fetos muito grandes tornando o parto laborioso ou impossível de desenvolver-se naturalmente.;

- Animais idosos apresentam geralmente contrações fracas e falta de critérios seguros para gestação.

Deve-se considerar entre outros fatores: o momento da parturição, as contrações, sinais de cólica, aparecimento das bolsas fetais e suas rupturas bem como sua demora ( a demora do parto após as rupturas dos anexos tras sérios riscos para o feto).

Corrimentos vaginais é de grande valia, a presença de pelos e tecidos revela feto morto.

ESTADO GERAL DA PARTURIENTE

Observer estado de nutrição, funções vitais como temperatura (normal estar um pouco diminuída)) respiração e bpm

os distúrbios circulatórios são comuns.

SINAIS DE ALARME

Nas éguas, sudoração , olhar fixo e angustiado,pupilas dilatadas e tensão no flanco podem aparecer na peritonite, lesões de via fetal mole, ou distúrbio no parto.

EXAME EXTERNO ESPECÍFICO

Excessivo aumento de abdome pode indicar gestação múltipla, hidropsia, formação de gás, ou peritonite. Em casos de infecção observa-se mau odor. A glândula mamária na hora do parto e logo após, apresenta-se edemaciada (caso contrário pode estar havendo aborto) e com secreção de colostro; no fim da gestação não existe leite e a secreção é transparente; em casos de mastite há presença de grumos.

EXAME INTERNO ESPECÍFICO

Primeiro palpação vaginal e depois retal com o animal em pé.

Observar lesões do conducto, lubrificação e dilatação, além da abertura e largura da via fetal mole ( vulva, anel himenal e cérvix) , odor dos anexos, nos partos demorados ocorre a ruptura dos anexos fetais e expulsão de todo o líquido tornando a via fetal mole seca e dificultando o parto.

Observar a estática fetal e reconhecer as partes fetais, gestação múltipla, tamanho do feto, sinais de vida ou morte fetal.


Infertilidade:

Vários fatores podem levar o garanhão à infertilidade, mas podemos classificar em infertilidade congênita ou adquirida:

Adquirida:

- Esteróides anabólicos, deprimem a espermatogênese. Após a retirada da droga o processo volta ao normal em torno de três meses.

- Pirexia, qualquer doença que cause aumento na temperatura é provável causar interrupção na espermatogênese. SPTZ normais devem aparecer no ejaculado dois meses após a recuperação.

- Uso em demasia.

- Alguns garanhões produzem um número maior de SPTZ anormais após repouso sexual prolongado.

- Infecção ativa no trato genital (orquite, epididimite, vesiculite seminal)

- Duas condições virais : exantema coital e arterite viral equina ( atrofia testicular ).

- Botriomicose por Staphylococcus aureus , espessamento do cordão espermático por granulação do coto do cordão espermático.

- Orquite pode ser iniciada por traumatismo ou infecção. Provoca inicialmente aumento de volume, escroto mais penduloso, dor, e se não tratado atrofia e fibrose do testículo.

- Psicológico.

- Tumores testiculares são raros

- Torção testicular (sinais agudos de cólica) ou do cordão espermático (redução aporte sanguíneo)

- Fibrose do epidídimo ( obstrução do ducto )

- Hemospermia

- Aumento do volume escrotal ( edema, hemorragia, hérnia)

- Degeneração testicular, a causa mais comum é a lesão térmica. A espermatogênese ocorre em temperatura inferior à corporal. Qualquer condição que resulte da elevação da temperatura escrotal irá prejudicar a fertilidade normal, resultando em atrofia testicular.

TRATAMENTO PARA INFECÇÕES GENITAIS

- Não lave o pênis do garanhão rotineiramente com anti-sépticos porque eles aumentam a incidência de pseudomonas resistentes

- Gentamicina parenteral 2x dia (4,4 mg/kg) ou Neomicina 2x dia( 3g.)

OU:

- Lavar pênis e prepúcio com água morna e sabão neutro

- Não usar Clorexidine (interfere na espermatogênese)

- Secar bem o pênis

- Pomada com Neomicina, polimixina, furazolidona

-  5 dias

CONGÊNITO:

- Criptorquidismo bilateral ou unilateral

- Hipoplasia de ambos testículos (raro)

- Atrofia ou fibrose dos testículos

- Hormonal


Problemas com o Feto:

O FETO

No 40º dia o feto tem uma grande mobilidade dentro do útero, pode passar de um corno uterino para outro, ficar de ponta cabeça, de lado.... Isso é perfeitamente normal, só vai se tornar um problema se ele tiver um desenvolvimento bicornual ou somente no corpo do útero. Durante a palpação nesta fase, deve-se estar atento para estas posições e não considerar anormal uma posição normal !!!

Na gestação o potro pode estar com o ventre alinhado com o dorso da mãe e na hora do parto ele se inverte, assumindo uma postura longitudinal posterior. A estática fetal deve obedecer os seguintes padrões :

- Apresentação longitudinal anterior;

- Posição superior;

- Atitude estendida.

 DISTOCIA

1- Manipulação: deve ser feita com um penso na égua e no potro para evitar eventual rompimento das estruturas relacionadas.

2- Reposição do feto ao útero.

3- Correção da posição fetal.

4- Tração de no máximo 3 homens. Cordas e correntes não muito finas e colocadas acima da articulação do boleto.

Pode-se usar drogas tocolíticas para inibir o reflexo de Fergusonn, tais como clembuterol, planipart, ventipulmim. Isso ajuda na reposição do feto, uso de lubrificantes e anestésicos epidural para bloquear o reflexo de esvaziamento também ajudam nesta hora.

A cesariana é indicada quando há o rompimento córion-alantóide e após 1 hora não há insinuação fetal.

A fetotomia é feita em casos de incompatibilidade entre o diâmetro da abertura e o feto. Deve-se serrar escápula ou pescoço.

A torção uterina consiste numa rotação do órgão sobre seu eixo longitudinal fazendo com que o conducto se torne parcialmente obliterado. Instala-se entre o 9º e 10º mês de gestação. As causas mais comuns para que isso ocorra são:

- Fixação do útero na cavidade abdominal. Uma parte do útero está presa pelo ligamento largo e a outra fica livre, oscilando com facilidade;

- Assimetria do útero. O corno uterino grávido é mais pesado que o outro, isso causa um desequilíbrio físico que facilita a torção uterina;

- Quantidade de líquido fetal. Nos últimos meses de getação existe uma diminuição relativa do líquido fetal, assim qualquer choque ou movimento fetal transmite-se mais rapidamente ao útero.

- Flacidez da musculatura abdominal. Em animais velhos, a parede abdominal é mais flácida e predispõe à torção uterina.

- Contrações uterinas. Quando muito fortes, podem causar torções uterinas.

 POSIÇÕES DISTÓCICAS

Apresentação Anterior

A cabeça e o pescoço encontram-se desviados dorsal ou lateralmente, observa-se pouca extensão da escápula. Membro anterior sob ou sobre o corpo.

Apresentação Posterior

Atitude sentada, é mais perigoso para romper o útero. O curvilhão está flexionado.

Apresentação transversa

Prenhez bicornual, acaba em fetotomia. É mais complicada.

Em caso de partos distócicos, não se deve virar o potro de ponta cabeça após o parto na intenção de fazê-lo respirar. As vísceras comprimem o pulmão e asfixia o potro que pode estar com o pulmão colabado ou comprometido após tantas dificuldades no parto.

Não passar nada no potro (álcool...) pode haver rejeição por parte da mãe.

Não dar laxantes, fluidoterapia, antibióticos, anti-histamínicos, etc.. não há justificativa principalmente em partos eutócicos.

 ALGUNS OUTROS PROBLEMAS

- Ruptura dos tendões pré-púbicos. A égua fica com o abdome desabado.

- Torção uterina.

- Hidropsia dos anexos fetais.

- Retenção da placenta.

- Ruptura da bexiga, útero, intestino, períneo...

PROBLEMAS NEONATAIS

O potro deve ficar em pé e mamar no máximo em até 2 horas.

O mecônio deve ser eliminado em até 12 horas.

A micção deve ser feita em 4 horas nas fêmeas e em até 8 horas no macho e 1 vez por hora.

Deve mamar a cada 20 minutos, sendo 4 vezes por hora na duração de 1 minuto cada mamada. Se demorar muito é sinal de que ele tem pouca força para fazer a sucção; se for muito rápido é sinal que tem pouco leite no úbere.

O ducto arterioso só se fecha após uma semana de vida.

O colostro deve ser ingerido no máximo em 24 horas porque 13 % dele é formado por imunoglobulinas, após esse período esse valor cai para 1 % aí então a ingestão de colostro é feita via parenteral na medida de 1,5 litros para cada 50 kg PV.

O umbigo deve ser desinfectado com iodo a 3% e nunca injetar iodo no canal umbilical.

Enfermidades mais comuns : Actinobacilose, causando septicemia na região mandibular; e tendões contraídos, pode ser tratado com tetraciclina que faz o achinelamento favorável neste caso.

 

RECOMENDAÇÕES DIÁRIAS DE VITAMINAS
PARA EQUINOS
  Manutenção/
Trabalho

Potros

VITAMINA A UI / Kg PV 75 150 - 200
VITAMINA D UI / KgPV 5 - 10 15
VITAMINA E mg /Kg PV 1 - 2 1
VITAMINA B1 mg / Kg MS 3 - 5 3
VITAMINA B2 mg / Kg MS 2,5 2,5
BIOTINA mg / Kg MS 0,05 0,1